segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Pensamentos vindos na escola

Aqui estou após muito tempo sem escrever. Mas hoje, fiquei revoltada o suficiente para a inspiração vir a mim e eu conseguir mover meu corpo para escrever.
Então vamos aos fatos. Desde a quinta série eu estudo em escola da rede estadual de ensino, e desde sempre eles cobram dos alunos dinheiro para comprar ar condicionado. Sim, eu disse COBRAR. Foram inúmeras rifas, bingos e até de forma direta e descarada. Então, quando eu estava no primeiro ano do ensino médio, conseguimos comprar um ar para a nossa sala (sim, 4 anos depois) e pensamos que estaríamos livres disso. Então a nossa amada diretora começou a COBRAR pela manutenção do ar. Entendo que eles precisam de manutenção, mas eu estudo em escola PÚBLICA, ninguém pode me obrigar a pagar algo naquele colégio. A situação ficou crítica o suficiente para fazermos uma greve. Não entramos na sala enquanto o ar não estivesse ligado. Funcionou, mas os babacas concordaram em entregar o dinheiro quarta-feira (já que amanhã é paralisação). 
Agora vamos para as contas. Segundo o que nos informaram, cada ar teve o custo de 100 reais pela limpeza. Cada turma deverá juntar 50 reais. São três turnos, logo, cada sala arrecadará 150 reais. Mesmo que nem todas as salas sejam ocupadas a noite, esse dinheiro estará sobrando. Deixarei para vocês pensarem para que lugar esse dinheiro vai, levando em consideração que a diretora e a vice não prestam contas e só elas manipulam aquele dinheiro.


Entramos na sala, a aula continuou normalmente. Após o intervalo, a professora de biologia comunicou que os terceiros anos deverão desfilar dia 07 de setembro, e que deveria ter, pelo menos, 15 alunos de cada turma. Alguns aceitaram logo, outros aceitaram após uma pressão da professora. Eu fui firme desde o começo e não aceitei o suborno da professora, que ofereceu um ponto na média para quem desfilasse. Comportamento completamente inadequado e infundado. Não é justo para com aquele aluno que estuda e luta para conseguir esse ponto.


Outra questão é: qual o sentido de desfilar no dia 7 de setembro? Não há e nunca houve uma verdadeira "independência" brasileira. Tudo não passou de papéis assinados e de uma dívida enorme. O Brasil continua dependente dos outros países até hoje. Se ao menos o desfile fosse bonito. Minha mãe comenta que na época dela os estudantes tinham que marchar, tinha que ser tudo sincronizado. Hoje é do jeito que cada um achar melhor, não passa de um passeio, uma caminhada onde algumas marionetes caminham enquanto outras assistem esse ato. Que tal passearmos até a câmara de vereadores, e exigirmos tudo o que eles nos prometeram em campanha?


Então falam de patriotismo. Eu, pessoalmente, prefiro exercer o meu patriotismo na busca de uma revolução. Não só em termos de forma de governo, mas principalmente na mente das pessoas. A alienação rola solta e os poderosos se aproveitam muito bem disso. Não concordo e não concordarei nunca com esse teatro de "temos orgulho do nosso país". Não importa se ganhamos a copa do mundo ou se a alegria do nosso povo é conhecida mundialmente. Posso ter orgulho da cultura, mas o governo e o povo não me dão motivo nenhum para me orgulhar deles.


Vivemos em uma ditadura mascarada, onde o capitalismo só faz piorar as coisas. Tirem as vendas - chamadas de mídia - e as algemas - chamadas de cartão de crédito - e vamos "passear" em busca de uma verdadeira independência.