Um dia, eu estava indo ao mercado e me deparei com um senhor na minha frente. Um velhinho já meio curvado, calça social meio desbotada, camisa meio amassada, suspensório, bengala, um cigarro na mão e um bigode impecável no rosto. No rosto, uma expressão de calma, diria ate mesmo de paz. Segui o meu caminho e ele continuou o dele, mas na minha mente começaram a passar idéias diferentes.
Pensei que aquela vestimenta já foi moda um dia, que aquele bigode era indispensável em uma época e que até mesmo o ato de fumar ficou marcado como característica de algumas gerações. Imaginei tudo o que aqueles olhos cansados viram, e aquelas orelhas ouviram. Retratos de um século frenético e entulhado de mudanças e com grandiosos acontecimentos.
Mas ai eu pensei que o ser humano tem um dom maravilhoso, o da adaptação. Ele consegue sobreviver em vários lugares, com várias situações e vários alimentos diversificados. No século passado houve mudanças não só tecnológicas, mas de comportamento. Vieram os hippies, os rockeiros, os grunges e inumeros outros, e velhinhos como o que eu vi na rua, participaram ou viram tudo isso, se adaptaram e estão adaptados ao meio em que vivem atualmente.
Tem pessoas que acham que mudar de estado, de cidade, ou até mesmo de escola, é algo que elas não aguentariam fazer. Por terem já um circulo de amigos, por se acostumarem com os lugares, e principalmente por comodidade. Mas acho que mudanças são necessárias, nem que seja um corte novo de cabelo. A monotomia e o tédio corroem o ânimo de uma pessoa. E sobre mudar de escola ou cidade, acho que gostar de um lugar depende muito mais de você mesmo do que do lugar em si. Cabe a você se adaptar e fazer novas amizades. Não se fechar ou ficar o tempo todo vivendo em recordações, pois quem vive somente no ontem não percebe a chegada do amanhã, e da maior mudança que existe: a morte.
Sendo assim, vamos aproveitar a parte boa de cada lugar, de cada pessoa. E não colocar no ombro de ninguem, a responsabilidade de te fazer feliz, pois esta responsabilidade é sua. Basta saber se você está aberto para o que há de vir.