quarta-feira, 30 de março de 2011

Saudade

Cá estou, tentando escrever um texto na frente do computador. As ideias estão aqui, me atormentando, pedindo para serem expostas, mas as palavras não se combinam de forma satisfatória. Levanto, abro a janela, percebo que ainda está nublado, mas o clima já está mais quente de novo. Eu estava imensamente feliz com o tempo nublado e fresquinho que estava pairando sobre Foz do Iguaçu. Sento na frente do computador, retomando o meu exercício sem resultados. Um raio de sol, tímido, mas que ganhou forças me atinge e logo penso "É, meu clima preferido realmente está indo embora". Olho pela janela e vejo que está garoando. Chuva e Sol, milhões de lembranças me invadem.
Lembro do passeio que fiz com meus tios e primos no Ibirapuera há alguns anos, num dia de sol, no qual fomos surpreendidos com sol e chuva. Lembro do delicioso banho de chuva com a minha prima, no ano seguinte. E de inúmeros outros momentos que tive com essa família maravilhosa, mas que mora tão distante.

Saudade, é isso que me invade com força, e com certa frequencia. Saudade dos lugares bonitos ou que fazem eu me sentir bem. Saudade dos familiares e dos amigos, que infelizmente moram longe de mim. Saudade de certas situações. Saudades até do que não existiu, daqueles sonhos que me animaram, e hoje estão perdidos no espaço.
Essa saudade que me faz ter mais consciência do real valor que algumas pessoas têm para mim. Que me faz valorizar os momentos que passo com essas pessoas. Que me lembra que a pior distância, não é a física, e sim a psicológica.
Essa saudade, que juntou palavras em um texto sem nexo, mas encharcado de nostalgia.

terça-feira, 29 de março de 2011

Fato cotidiano observado no dia 29/03/2011

Hoje minha amiga estava muito apertada para ir no banheiro e me chamou para ir junto logo no inicio do recreio. Não sei explicar por que as meninas precisam de companhia para ir ao banheiro, e nem é essa a questão. Enquanto ela estava fazendo o que viera fazer ali, fiquei no corredor esperando, encostada na parede e perto do espelho.
E a cada segundo que passa, entram mais e mais meninas procurando um único e amado objeto: o espelho. Sua pressa em se ver é tão grande, que elas não se incomodam de se amontoarem em um espaço MINÚSCULO para dar uma olhadinha, arrumar uma mechinha de cabelo, fazer uma pose e sair satisfeita, ou nem tanto. Fazem isso com tanta urgência, que é a primeira coisa que fazem após sair das suas respectivas salas, e só conseguem relaxar após o ato concretizado.
Afinal, a vida delas depende disso. Como vão seduzir e induzir os menininhos a irem falar com elas sobre assuntos supérfluos com segundas, terceiras e quartas intenções? Afinal, a beleza (ou uma imitação barata dela) é tudo o que elas possuem para tal.
Após um pequeno espaço de tempo (MUITO pequeno mesmo), comecei a achar aquele ambiente insuportável. Estava contando os segundos para sair daquele lugar impregnado com o culto excessivo à boa aparência. Espero (não tão) pacientemente, e lá esta a minha amiga pronta, e finalmente me vejo fora e posso respirar mais tranquilamente.
Passa o recreio, a quarta e a ultima aula. Finalmente somos liberados para irmos para casa ou para o lugar de agrado de cada um, mas antes, é claro, lá vão as mesmas menininhas entrar naquele ambiente minúsculo, dar uma olhadinha, arrumar a mechinha de cabelo, fazer uma pose e PRONTO, agora elas já podem ir para casa.

terça-feira, 22 de março de 2011

Mudanças

Um dia, eu estava indo ao mercado e me deparei com um senhor na minha frente. Um velhinho já meio curvado, calça social meio desbotada, camisa meio amassada, suspensório, bengala, um cigarro na mão e um bigode impecável no rosto. No rosto, uma expressão de calma, diria ate mesmo de paz. Segui o meu caminho e ele continuou o dele, mas na minha mente começaram a passar idéias diferentes.
Pensei que aquela vestimenta já foi moda um dia, que aquele bigode era indispensável em uma época e que até mesmo o ato de fumar ficou marcado como característica de algumas gerações. Imaginei tudo o que aqueles olhos cansados viram, e aquelas orelhas ouviram. Retratos de um século frenético e entulhado de mudanças e com grandiosos acontecimentos.

Mas ai eu pensei que o ser humano tem um dom maravilhoso, o da adaptação. Ele consegue sobreviver em vários lugares, com várias situações e vários alimentos diversificados. No século passado houve mudanças não só tecnológicas, mas de comportamento. Vieram os hippies, os rockeiros, os grunges e inumeros outros, e velhinhos como o que eu vi na rua, participaram ou viram tudo isso, se adaptaram e estão adaptados ao meio em que vivem atualmente.

Tem pessoas que acham que mudar de estado, de cidade, ou até mesmo de escola, é algo que elas não aguentariam fazer. Por terem já um circulo de amigos, por se acostumarem com os lugares, e principalmente por comodidade. Mas acho que mudanças são necessárias, nem que seja um corte novo de cabelo. A monotomia e o tédio corroem o ânimo de uma pessoa. E sobre mudar de escola ou cidade, acho que gostar de um lugar depende muito mais de você mesmo do que do lugar em si. Cabe a você se adaptar e fazer novas amizades. Não se fechar ou ficar o tempo todo vivendo em recordações, pois quem vive somente no ontem não percebe a chegada do amanhã, e da maior mudança que existe: a morte.
Sendo assim, vamos aproveitar a parte boa de cada lugar, de cada pessoa. E não colocar no ombro de ninguem, a responsabilidade de te fazer feliz, pois esta responsabilidade é sua. Basta saber se você está aberto para o que há de vir.